sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Janela para o meu universo

Este sítio de onde vejo o mundo não equivale ao lugar do meu centro. Aquilo que vejo da vida passa a um outro patamar, aquele em que me esforço por descobrir e acreditar que é comigo o que se passa. Quando me venho aqui sentar, os segundos multiplicam-se e parece-me que este tempo em que não vivo demora o dobro do restante. Esta independência barata, porque não depende de nada, é como uma lágrima escorrendo pela face. Vem do fundo, é misteriosa, inexplicável (mas nós somos quem melhor não a consegue explicar) e não se pretende demorar, como uma folha de Outono que nos caísse da alma. Mas nos momentos em que a psique não parece ter um peso sinto-me de forma abrangente, derramado no mundo, desejando tudo ser e tudo sentir, ter lugar em cada som bruto, em cada boca, em todos os traços do mundo, em nenhum corpo.
E tudo isto é um instante, sonhado de olhos fechados, em que fui só eu mesmo, e mais nada.
Free Guestbook from Bravenet.com Free Guestbook from Bravenet.com